Eu tenho visto muitos profissionais da saúde animal fazerem a mesma pergunta. A reforma vai pesar mais no bolso? A resposta curta é: depende do tipo de atuação, do regime tributário e do enquadramento correto da atividade.
No caso do médico veterinario, a tributação não ficou igual à dos médicos. Pela LC nº 214/2025, alguns serviços de saúde humana podem ter redução de 60%, enquanto os serviços profissionais veterinários podem ter redução de 30% nas alíquotas de IBS e CBS, desde que os requisitos legais sejam atendidos. Isso muda a conta. E muda mesmo.
Em minhas leituras sobre o tema, vi que houve debate intenso até a definição desse tratamento. Uma publicação do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro sobre a previsão de redução de 30% no CBS e no IBS já apontava esse caminho. Depois, também acompanhei que o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Maranhão explicou a manutenção da redução de 30% para serviços veterinários após mudanças no texto.
O que muda na prática
Quando falo com donos de clínica, consultório ou profissionais autônomos, percebo uma preocupação comum. Muitos imaginam que a reforma cria um imposto único e pronto. Não é assim. A estrutura muda, mas o impacto real depende de detalhes que, no dia a dia, fazem diferença.
Quem errar no enquadramento pode pagar mais imposto do que deveria.
Entre os pontos que eu considero mais sensíveis, estão:
- Atividade econômica cadastrada de forma correta;
- Modelo de sociedade adotado;
- Faturamento anual da empresa;
- Peso da folha de pagamento na operação;
- Se a atuação é como autônomo, clínica ou hospital veterinário.
Quem está no Simples Nacional poderá continuar na guia única. Mas isso não significa ficar parado. Em muitos casos, eu vejo que será preciso revisar o formato atual para evitar perda de margem.
Na rotina da Inside Contabilidade, esse ponto aparece com frequência. O profissional atende bem, tem agenda cheia, mas não sabe se o CNPJ está montado da forma mais segura para o novo cenário.
Tributo mal calculado vira lucro perdido.
Veterinário vai pagar mais?
Nem sempre. Para alguns, a carga pode ficar estável. Para outros, pode subir. E há casos em que uma revisão prévia reduz o risco de aumento. Eu penso que o erro está em buscar uma resposta igual para todos.
Se o profissional atua sozinho, com estrutura leve, o efeito pode ser um. Se mantém clínica com equipe, insumos, recepção e alto custo fixo, o efeito pode ser outro. Por isso, antes de qualquer conclusão, eu sugiro olhar para três frentes:
- Como a receita entra hoje;
- Quanto a operação gasta para funcionar;
- Qual regime faz mais sentido na transição.
Para quem ainda tem dúvidas sobre regimes, gosto de indicar a leitura deste conteúdo sobre Simples Nacional para veterinários e empresas pet, porque ele ajuda a organizar a base da decisão.
O debate sobre a redução maior
Eu também acompanhei uma movimentação que chamou atenção do setor. Segundo notícia do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia sobre destaque aprovado na CCJ para ampliar a redução a 60%, houve avanço político para equiparar os serviços veterinários aos de saúde humana em certos pontos.
Isso mostra que o tema ainda desperta discussão e interesse institucional. Mas, até a aplicação prática consolidada, eu prefiro cautela. O que vale para o planejamento tributário é a regra vigente e o enquadramento real da operação.
A expectativa de benefício futuro não substitui uma revisão tributária feita com base no cenário atual.
Clínicas e hospitais precisam olhar além da alíquota
Quando penso em clínica veterinária, lembro de um caso comum. O dono olha apenas a alíquota e esquece todo o resto. Só que o resultado final nasce de um conjunto.
Em negócios maiores, eu costumo observar:
- Mistura de serviços clínicos com venda de produtos;
- Estrutura de folha e encargos;
- Contratos com parceiros e prestadores;
- Possibilidade de créditos em algumas operações;
- Separação contábil entre atividades diferentes.
Esse cuidado conversa com dois temas que merecem atenção: a relação com o fisco, explicada neste texto sobre SEFAZ e impacto na contabilidade veterinária, e a estrutura da operação em contabilidade para clínicas e hospitais veterinários.
Em alguns casos, ainda pode haver valores pagos a maior no passado. Por isso, eu acho útil conhecer o tema da recuperação de créditos tributários no setor pet, desde que a análise seja técnica e bem documentada.
Conclusão
Se eu tivesse de resumir, diria o seguinte: a reforma tributária pode aumentar o imposto para alguns médicos-veterinários, mas não de forma automática para todos. O efeito depende do regime, da atividade, da composição da receita e da organização do negócio.
Também vejo que muitos profissionais ainda atuam com CNPJ mal ajustado para o porte real da operação. Isso pesa. Para quem está nessa fase, vale revisar este guia sobre CNPJ para veterinários e empresas pet antes de tomar qualquer decisão.
Cada caso tem suas particularidades. Por isso, eu recomendo buscar apoio de um contador especializado para simular cenários e evitar escolhas caras. Se você quiser tirar dúvidas ou pedir uma consultoria inicial gratuita de uma hora, pode entrar em contato com a Inside Contabilidade.
Perguntas frequentes
O que muda na tributação para veterinários?
Muda a forma de incidência dos novos tributos sobre consumo, com destaque para o IBS e a CBS. Para serviços veterinários profissionais, pode haver redução de 30% nas alíquotas, desde que os critérios legais sejam cumpridos. Ainda assim, o efeito final depende do enquadramento da atividade e do regime adotado.
Qual o novo imposto para médicos veterinários?
Na prática, o sistema passa a considerar o IBS e a CBS como parte da nova estrutura tributária. Eles substituem tributos atuais dentro da reforma. Para o profissional da medicina veterinária, o ponto central não é só o nome do imposto, mas como a atividade será classificada e tributada.
Como a reforma afeta clínicas veterinárias?
Clínicas podem sentir impacto na margem se não revisarem sua estrutura fiscal e contábil. Além da prestação de serviços, muitas operam com venda de produtos, exames e internação. Essa mistura pede organização maior para evitar pagamento indevido e falhas no cálculo.
Veterinário autônomo vai pagar mais imposto?
Pode pagar mais, menos ou quase o mesmo. Isso varia conforme faturamento, despesas, formato de contratação e possibilidade de permanecer em um regime mais favorável. O autônomo precisa comparar cenários antes de decidir se continua como está ou se vale migrar para outro modelo.
Vale a pena abrir CNPJ como veterinário?
Em muitos casos, sim. Abrir empresa pode melhorar a organização tributária, dar mais previsibilidade e até reduzir a carga, dependendo da receita e da forma de atuação. Mas eu penso que essa decisão deve ser feita com apoio técnico, porque um CNPJ aberto sem planejamento pode gerar custo maior do que o esperado.




