Se eu revendo peças automotivas em São Paulo, eu não deixaria esse assunto para depois. Falo isso porque, na prática, uma mudança tributária que parece técnica pode virar um rombo no caixa. E, quando a guia chega, já é tarde para improvisar.
Segundo a exclusão oficial de 174 mercadorias do regime de substituição tributária anunciada pela Secretaria da Fazenda de São Paulo, parte dos itens do setor passará a seguir outra lógica a partir de outubro de 2026. A mudança também foi repercutida na notícia sobre a retirada de produtos da ST do ICMS em São Paulo e na apuração sobre as mercadorias que deixarão esse regime a partir de 1º de outubro de 2026. Em outras palavras, não é boato. É mudança real.
Outubro pode custar caro.
Como a venda funciona hoje
Hoje, boa parte dos componentes para veículos já chega ao comércio com o ICMS-ST recolhido antes. Na rotina, isso deixa muita empresa acostumada com um cenário mais simples: compra a mercadoria, vende dentro do Estado e, em muitos casos, a saída não gera aquele destaque normal de ICMS como em outras operações.
Na prática, muita revenda trabalha há anos com guia de ICMS muito baixa ou até zerada para esses itens.
Eu já vi empresário olhar só para o faturamento e esquecer que a forma de tributação da mercadoria muda tudo. O problema é que esse costume cria uma falsa sensação de segurança. Parece que vai continuar igual. Mas não vai.
Se você quiser entender melhor como a parte fiscal afeta margem e lucro no setor, vale ver este conteúdo sobre como reduzir impostos no comércio de autopeças e aumentar a lucratividade.
O que muda em outubro de 2026
Com a saída de vários produtos do regime de ST, a venda passa a gerar débito normal de ICMS. Isso muda o jogo. Aquele item que antes parecia “quieto” do ponto de vista tributário passa a produzir imposto na saída.
Quando o produto sai da substituição tributária, a venda pode voltar a gerar ICMS próprio na operação.
Vou colocar de um jeito bem direto. Imagine uma loja que fatura R$ 200 mil por mês com itens do segmento automotivo. Se antes a maior parte entrava com ICMS-ST já recolhido, a guia mensal podia ficar perto de zero. Depois da mudança, com alíquota de 18%, o débito pode girar em torno de R$ 36 mil, antes de considerar créditos das compras feitas já no novo modelo.
É aí que muita gente trava. Porque o imposto não some só porque a empresa sempre vendeu do mesmo jeito. A regra muda. O caixa precisa acompanhar.
O estoque pode esconder um crédito
Tem um ponto que, na minha experiência, passa batido por muita revenda. O estoque comprado antes da mudança já carrega imposto embutido no custo. Esse valor não nasceu do nada. Ele foi pago lá atrás.
Conforme as orientações da página da Secretaria da Fazenda de São Paulo sobre substituição tributária e apuração de créditos sobre estoques, a saída desses produtos do regime pode permitir levantamento para crédito, seguindo a Portaria CAT 28/2020 e alterações.
Isso significa que existe crédito tributário possível dentro do estoque existente na data da mudança.
Eu gosto de dizer que o estoque, nesse momento, deixa de ser só prateleira. Ele vira documento fiscal vivo. Cada item contado, conferido e vinculado à nota certa pode representar menos imposto a pagar nos meses seguintes.
Por que contar antes de outubro
Porque deixar para a última hora aumenta o risco de erro. E erro aqui custa dinheiro. Não basta saber que há caixas no depósito. É preciso saber quais mercadorias foram afetadas, quando entraram, por qual nota fiscal e quanto de imposto está embutido nelas.
Eu separaria esse trabalho em etapas bem claras:
- Levantamento físico do estoque;
- Identificação dos produtos alcançados pela mudança;
- Conferência das notas fiscais de entrada;
- Cálculo do ICMS-ST embutido no custo;
- Registro da memória de cálculo;
- Escrituração correta do crédito.
Se uma dessas partes falha, o crédito pode ficar menor do que deveria. Em caso de fiscalização, a falta de memória de cálculo também pode trazer dor de cabeça. Eu não contaria com a sorte.
Para quem ainda está arrumando a casa fiscal da empresa, este material sobre inscrição estadual para vender autopeças e exigências do setor ajuda a entender a base dessa operação.
O impacto no caixa não é teoria
Às vezes, o dono da loja pensa assim: “Quando chegar perto, eu vejo isso”. Só que outubro não vai pedir licença. Se o faturamento continua e a tributação muda, a guia vem do mesmo jeito.
Eu já percebi que o maior susto não é a regra nova em si. É a falta de preparo. Quando a empresa não mede o estoque antes, ela pode perder créditos e ainda enfrentar um salto no imposto devido no mês. A soma desses dois efeitos pesa muito.
Quem não levanta o estoque no momento certo pode pagar mais ICMS do que precisava.
É por isso que o planejamento não serve apenas para “ficar em dia”. Ele ajuda a evitar pagamento desnecessário. E isso faz diferença real no comércio de peças para veículos, onde margem apertada não costuma perdoar descuido tributário.
Como eu vejo a preparação ideal
Se eu estivesse orientando uma empresa hoje, eu começaria antes da correria. Primeiro, revisaria cadastro de produtos. Depois, conferiria notas e relatórios. Em seguida, alinharia o sistema para a nova regra. Só então fecharia a apuração com segurança.
Esse tipo de cuidado conversa muito com o que a Inside Contabilidade faz no atendimento ao empreendedor. A proposta de simplificar a contabilidade, com apoio próximo e resposta rápida, combina bastante com um momento em que o empresário precisa agir sem complicação.
Se você quiser aprofundar esse olhar, recomendo também a leitura sobre contabilidade para autopeças em São Paulo e formas de aumentar a rentabilidade e sobre a importância da contabilidade para autopeças na redução de impostos e melhora dos lucros. Para acompanhar outros temas fiscais, há ainda a seção de conteúdos tributários.
Conclusão
Eu resumiria tudo assim: a mudança na tributação de itens do setor automotivo em São Paulo pode aumentar bastante o ICMS mensal de quem revende essas mercadorias. Mas o estoque existente antes da virada pode gerar crédito, desde que seja contado, conferido e escriturado da forma correta.
Contar o estoque antes de outubro não é excesso de cuidado. É proteção financeira.
Cada empresa tem suas particularidades, seu mix de produtos e seu histórico de compras. Por isso, o melhor caminho é contar com apoio de um contador especializado para revisar a operação e orientar a apuração do crédito de forma segura. Se você quiser tirar dúvidas ou pedir uma consultoria gratuita, vale falar com a Inside Contabilidade e entender como preparar sua empresa para essa mudança.
Perguntas frequentes
O que é ICMS para autopeças?
ICMS é o imposto estadual que incide sobre a circulação de mercadorias, inclusive peças e acessórios automotivos. No setor, ele pode aparecer no regime normal ou na substituição tributária, quando o recolhimento acontece antes, por outro elo da cadeia. Após a saída de certos produtos da ST, a revenda pode voltar a recolher o imposto na própria venda.
Como fazer o controle de estoque de autopeças?
Eu recomendo juntar contagem física, cadastro correto dos itens, conferência de notas fiscais e acompanhamento por sistema. Também ajuda separar produtos por código, descrição e tributação. No caso da mudança do ICMS em São Paulo, esse controle precisa estar alinhado com as notas de entrada para permitir cálculo e registro do crédito sobre o estoque.
Quem precisa declarar estoque de autopeças?
Empresas que revendem esses produtos e serão afetadas pela saída de mercadorias do regime de substituição tributária precisam dar atenção a esse levantamento. A necessidade prática aparece quando o estoque existente na data da mudança pode gerar crédito fiscal, exigindo identificação, cálculo e escrituração conforme a regra aplicável.
Quais as consequências de não declarar estoque?
A principal consequência pode ser pagar mais imposto do que o necessário por não aproveitar créditos permitidos. Além disso, a empresa pode ficar sem documentação adequada para justificar valores em eventual fiscalização. Em termos simples, a falta de levantamento pode atingir o caixa e ainda aumentar o risco fiscal.
Quando devo contar o estoque de autopeças?
O ideal é contar antes da entrada em vigor da nova regra, ou seja, antes de outubro de 2026. Quanto mais cedo esse trabalho começar, melhor. Isso dá tempo para revisar notas, corrigir cadastro, separar os itens afetados e registrar tudo com mais segurança, evitando correria perto da mudança.
Por que contar antes de outubro
Conclusão



