Uma escolha errada poderá aumentar os impostos, a burocracia e o preço dos produtos ou serviços da sua empresa.
Eu tenho visto muitos empresários tratando esse tema como se houvesse uma resposta pronta. Não há. Seguir a decisão de outra empresa, ou optar só porque o regime regular permite gerar créditos, pode levar a um resultado financeiro ruim. No papel, a ideia parece boa. Na prática, nem sempre fecha a conta.
O Simples Nacional poderá conviver com um modelo híbrido para IBS e CBS, mas isso não significa vantagem automática.
O que muda com o Simples Nacional híbrido
Com a Reforma Tributária, surge a possibilidade de um arranjo híbrido. Nele, a empresa permanece no Simples Nacional para os demais tributos, mas o IBS e a CBS deixam de ser recolhidos dentro do DAS e passam a seguir o regime regular. É uma convivência mista. Um formato dual dentro da rotina tributária.
Em minhas leituras, vi que esse desenho de IVA dual e a lógica da tributação por fora aproximam o Brasil de práticas adotadas em outros países, como mostra um estudo sobre as implicações contábeis e de relatório financeiro do novo sistema dual de IVA. Só que aproximação internacional não quer dizer benefício igual para todos os negócios.
Escolher sem simular custa caro.
Eu gosto de explicar isso com uma cena comum. Dois empresários do mesmo bairro, ambos no Simples, ambos prestando serviços. À primeira vista, parecem iguais. Mas um vende mais para empresas e compra insumos com crédito. O outro atende consumidor final, tem poucas compras creditáveis e margem apertada. Se os dois fizerem a mesma escolha, um pode ganhar mercado e o outro pode perder margem.
O que deve entrar na conta
Antes de decidir, eu observo alguns pontos que mudam totalmente o resultado:
- Volume de compras com direito a crédito.
- Perfil dos clientes.
- Operações B2B ou B2C.
- Margem de lucro.
- Formação de preços.
- Estrutura financeira do negócio.
- Sistemas de gestão e emissão fiscal.
- Custos para cumprir novas obrigações.
A possibilidade de crédito só faz sentido quando ela compensa o aumento da complexidade e o efeito no caixa.
Isso pesa ainda mais porque o novo modelo pode mexer no fluxo financeiro. Um trabalho sobre pagamento dividido e segregação do IBS/CBS no momento financeiro mostra como a reforma pode afetar a gestão de caixa e até o custo de capital. Eu considero esse ponto decisivo para empresas pequenas, que já operam no limite.
Quando a opção pode ajudar
Eu diria que o modelo misto tende a fazer mais sentido quando a empresa vende para outras empresas, consegue repassar preço com menos resistência e compra bastante de fornecedores que geram crédito. Nesses casos, sair do recolhimento fechado no DAS para IBS e CBS pode melhorar a posição comercial.
Há pesquisas que tratam da competitividade e da carga efetiva das micro e pequenas empresas nesse novo ambiente. Um estudo sobre os efeitos da Emenda Constitucional nº 132/2023 para optantes do Simples mostra que a nova escolha pode alterar a competição no mercado e até criar riscos de exclusão econômica para quem decidir sem preparo.
Também não posso ignorar o setor de serviços. Em vários casos, o impacto tende a ser pesado. Um artigo que discute os efeitos da reforma sobre operações de serviços sustenta que muitas atividades podem sofrer oneração maior. Se a empresa trabalha com baixa despesa creditável, o cuidado deve ser redobrado.
O lado operacional pesa mais do que parece
Muita gente pensa só no percentual do imposto. Eu penso no todo. Se o sistema da empresa não estiver pronto, se a emissão fiscal for falha, se a equipe não souber tratar crédito e débito, o custo indireto cresce. E cresce rápido.
Uma decisão tributária ruim não aparece apenas no imposto pago, mas também no retrabalho, no preço mal formado e no caixa pressionado.
Esse ponto aparece em um estudo sobre impactos operacionais da reforma tributária nas pequenas empresas, que relaciona a adaptação ao novo IVA dual com a maturidade contábil do negócio. Eu concordo com essa visão. Empresa sem base contábil sólida tende a sofrer mais na transição.
Na Inside Contabilidade, eu vejo esse tema como uma decisão de cenário, não de impulso. Rogério Caires e a equipe da Inside estão à frente das discussões sobre a Reforma Tributária e ajudam os clientes a comparar simulações antes de qualquer escolha. Isso muda o jogo, porque a empresa deixa de decidir por opinião e passa a decidir por números.
Aliás, essa lógica de enquadramento e reenquadramento tributário já aparece em outras situações do dia a dia empresarial. Quem quer entender melhor transições de regime pode comparar com conteúdos da própria Inside sobre desenquadramento do MEI, sobre como sair do MEI em 2025, sobre Simples Nacional para veterinários e empresas pet, sobre recuperação de créditos tributários para pet shops e até sobre controles financeiros em plataformas digitais, como no guia de saque sem riscos na Hotmart. Em todos esses casos, a regra é parecida: sem leitura técnica, a chance de erro aumenta.
Conclusão
Eu chego a uma conclusão simples. O Simples Nacional híbrido pode ser bom para uma empresa e ruim para outra, mesmo que as duas pareçam semelhantes. O ganho depende da combinação entre crédito, cliente, preço, margem, caixa e estrutura interna. Por isso, optar por IBS e CBS fora do DAS sem planejamento tributário é um risco desnecessário.
Se eu pudesse dar um único conselho, seria este: não decida sozinho e nem por comparação com o vizinho. Cada caso tem particularidades. O melhor caminho é contar com um contador especializado para simular cenários e medir o efeito real da escolha. Se você quiser entender como isso se aplica ao seu negócio, vale falar com a Inside Contabilidade e solicitar uma consultoria gratuita de uma hora.
Perguntas frequentes
O que é regime híbrido de tributação?
É o modelo em que a empresa mantém parte da apuração em um regime e outra parte em regras diferentes. No contexto da reforma, significa ficar no Simples Nacional para os demais tributos e recolher IBS e CBS pelo regime regular.
Como funciona o modelo híbrido para IBS e CBS?
Nesse formato, IBS e CBS deixam de ser cobrados dentro do DAS. A empresa continua no Simples para os outros tributos, mas passa a apurar esses dois separadamente, com regras de crédito, débito e obrigações próprias do regime regular.
Vale a pena optar pelo regime híbrido?
Depende. Eu só considero essa opção boa quando a empresa tem perfil que favorece créditos, estrutura para cumprir as novas exigências e clientes que absorvem bem a formação de preço. Sem isso, o custo pode superar a vantagem.
Quais as vantagens do sistema híbrido?
As principais são a possibilidade de gerar e aproveitar créditos de IBS e CBS, melhorar a relação comercial em operações entre empresas e, em certos casos, ganhar competitividade. Ainda assim, essas vantagens só aparecem quando os números confirmam o benefício.
Quando escolher o regime híbrido sobre o Simples?
Eu indicaria essa escolha apenas após planejamento tributário, com simulação de cenários. Ela tende a fazer mais sentido quando há forte operação B2B, bom volume de compras com crédito, margem compatível e estrutura contábil preparada. Para tirar dúvidas ou pedir uma consultoria gratuita, entre em contato com a Inside Contabilidade.
Quando a opção pode ajudar



